quarta-feira, 20 de abril de 2011

O Sono dos Justos













Uma frase martela minha cabeça.
“Dorme logo, antes que você morra!” Refrão da música Nassiria e Najaf de Karina Buhr, moça arretada que a MTV Brasil(?) vem bombando, como estandarte na cruzada para resgatar seu M. O que até tem me agradado, sabe?
Mas, apesar da música e a menina merecerem todos meus comentários, salvas, equívocos e atenções de toda ordem, prefiro deixar pra outra hora os cabelos e palavras de fogo, para falar de como a frase me lembrou uma situação que vivi com muita intensidade por três anos e que ainda hoje, seus ecos estão de subtexto em muito de meus atos na cama.
Na época vivi uma rotina pesada, que envolvia bastante pressão, um ambiente que desgostava e poucas horas de sono. E não era apenas um parco descanso, mas o único momento meu do dia, a única situação em que eu podia simplesmente fazer o que realmente queria e deixar, relaxar, pensar. Porém, algo acontecia...
Para meu desespero completo (entra trilha dramática), roubando aquele naquinho de vida, vinha a preocupação em ter de dormir. Zunindo na cabeça a obrigação do descanso (vê se pode!), para energizar meu corpo e vender no dia seguinte, a valor minguado, essa mesma carga. Tal pensamento me fazia (adivinha?) perder o sono.
A falta de sentido da situação, o sentimento em ver minha vida escorrendo, era algo muito ruim. Por outro lado (me sinto na obrigação de fazer a ressalva), isso, acredito, contribuiu com a ratificação de minha inclinação humanista, que, por conseguinte, (ATTENTION! ATTENTION! ATTENTION! PEDANTISMO ALERT!) me impele a convidar quem está lendo essas linhas a pensar o quanto de produto ou vendável, quer se tornar?
Quanto, em nossa busca por uma suposta felicidade estável, nos enredamos pela objetividade da vida, abandonando os sonhos? Ou, quanto estamos amedrontados com o aqui e agora, ao ponto de perseguir um ideal de ter que jamais se concretiza, vivendo uma eterna fantasia do futuro? (1)
Não quero com isso conclamar ingenuamente um ideal Woodstock, mas perguntar o quanto cada um de nós quer deixar sua vida ser guiada? Ao pensar nisso, lembro do nome da empresa em que Dino Da Silva Sauro trabalhava. A corporação “Isso É Assim” (Wesayso no original).
Por fim, no fundo estou apenas (pretensiosamente) repetindo Chaplin no alerta feito em Tempos Modernos. Porém, muitas noites mal dormidas, por causa do simples fato de ter de dormir, me fizeram querer saber se minha vida era minha mesmo. Fica a pergunta pra você.



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